sábado, 10 de abril de 2010

San Blas - Descrevendo o indescritível


Hoje faz cinco dias que cheguei do Panamá, uma viagem que começou a ser planejada de forma tímida, com poucas pessoas envolvidas, poucos destinos no roteiro, mas que com o tempo foi se tornando algo bem maior do que esperávamos. Aqui na Costa Rica lançamos a idéia de sair do país no nosso grupo de emails que reúnem os trainees e alguns membros da AIESEC, afinal, era feriado de semana santa e porque não conhecer outro país sendo que podemos fazer isso por 80 dólares aqui na América Central. 


Ao mesmo tempo, nossos amigos que vivem na Cidade do Panamá movimentaram as pessoas que conhecem por lá, trocaram emails, posts no facebook, twitter e a galera foi se animando. 


O motivo da animação tinha um nome: San Blás. Acredito que poucos que acompanham meu blog devem ter ouvido falar nesse lugar, com exceção dos que vivem ou passaram por aqui. Informações na internet são raríssimas, fazer contato por lá exige muita paciência, chegar até lá não é fácil e mais difícil ainda é acreditar que lugares como este existem para o privilégio daqueles que têm a oportunidade de conhecer.


Antes dos detalhes, vale a pena contar como foi para chegar até o Panamá! 

Supostamente havíamos comprado nossa passagem para sair da Costa Rica numa sexta feira a noite, eu e o Tiago que mora comigo, de busão. Supostamente, porque ao chegar ao terminal descobrimos que a tal passagem havia sido emitida para a noite seguinte. Agora imaginem a cena: mochilão nas costas, travesseiro nas mãos, água comprada, pessoas esperando no Panamá... Não íamos desistir tão fácil assim! Fomos ao caixa, conversamos com a atendente e gentilmente (o que é raro por aqui, pois a qualidade do serviço não é das melhores) ela nos pediu que esperássemos até o horário de embarque, pois poderia haver alguma desistência. E não é que ela estava certa! Na hora do busão sair, ela veio em nossa direção avisar que tinham exatamente dois lugares. Nem perguntamos detalhes, corremos para despachar a bagagem e partimos em direção à Cidade do Panamá durante 14 horas de viagem.


Na capital do país, encontramos a Julie, americana e o Adam, polonês – ambos vivem aqui na CR e tinham ido dois dias antes. Reencontramos também a Cintia, Breno e Eduardo, brasileiros que assim como eu fazem seu intercâmbio no Panamá. E durante os quatro dias que ficamos por lá antes de partir para San Blás foram chegando mais e mais pessoas, sendo que no final da história o nosso grupo tinha 24 pessoas, 9 nacionalidades (Brasil, Guatemala, Colômbia, EUA, Porto Rico, Cosa Rica, Panamá, Polônia e Coréia) e 16 litros de rum panamenho para uma aventura de 3 dias!


E aí começa uma das melhores experiências que tive nessas minhas idas e vindas por esse mundo tão gigante, mas que aos poucos tem se tornado “pequeno” diante dos meus olhos. 


San Blás é um arquipélago situado na costa atlântica do Panamá. A região tem uma área de 3.206 Km² e mais de 365 ilhas, 36 delas habitadas. Para aqueles que vivem a vida de mochila nas costas, isso significa que lá vc pode conhecer uma ilha por dia durante o ano e ainda sobram opções para o próximo!




Oicialmente é conhecida como a Comarca de Kuna Yala – o nome está relacionado aos guardiões do território, como são chamados os índios da tribo Kuna. Eles são mais de 35.000, a maioria espalhados nas ilhas de San Blas, outros na reserva de Madugandi e uma pequena porcentagem na capital do país. Kuna Yala na linguagem dos índios quer dizer “Terra Kuna” e todo o território é administrado por eles com um sistema político super organizado e considerado o mais avançado de todo o continente americano. O governo panamenho pode sugerir mudanças, mas elas são implementadas ou não de acordo com a vontade dos Kuna. 



A região também faz parte do Corredor Biológico Mesoamericano, que contém vários ecossistemas marinhos, costeiros e terrestres vulneráveis e uma abundante diversidade biológica.


Para chegar até lá, saímos da Cidade do Panamá de madrugada e viajamos cerca de 3 horas, sendo duas delas em um carro 4X4 que atravessa um rio e desdobra montanhas de barro com paredões de quase 90 graus. Depois disso, já recepcionados pelos Kuna, tomamos um barco por uns 40 minutos até chegar à ilha em que nos hospedaríamos. 


Durante todo o percurso a visão já era inacreditável, daquelas que eu só tinha visto em filmes como “A Praia” com Leonardo di Caprio ou “Náufrago” com Tom Hanks. Quando chegamos à ilha eu fiquei refletindo alguns minutos sobre a oportunidade que estava tendo de conhecer tudo aquilo, agradeci a Deus todos os dias, por cada minuto – Mar do Caribe, areia fina e branca, água com tons de azul turquesa e verde esmeralda que se mesclam com a parte escura do oceano, palmeiras por todas as partes, piscinas naturais rodeadas de corais, passeios de barco, noites de reggae regadas a rum– e tudo isso na companhia de pessoas que fizeram o lugar se tornar ainda mais agradável.




Sem dúvida, um dos lugares mais bonitos do planeta e que ainda mantém sua história e sua tradição através dos costumes Kuna. Muitos deles, sobretudo as mulheres, ainda se vestem como seus ancestrais e elas se dedicam à confecção das “molas” (roupas na linguagem Kuna), pedaços de panos multicoloridos bordados e costurados a mão com símbolos que fazem parte dos costumes nativos. 




Na ilha em que ficamos as refeições eram anunciadas por um índio que com a boca em uma concha fazia um som de sirene e nos avisava que era hora de comer; as habitações eram ocas feitas das palhas das palmeiras, o banheiro ecológico (esse precisa ser melhorado) e tudo o que consumíamos era anotado pelo Sr. Pablo ou pelo Sr. Franklin, ambos de uns 75 anos e com uma simpatia extrema, fortes e alegres mesmo com o passar dos anos e com as dificuldades que o seu povo já enfrentou. Bastava anotar o nome na folha e no final ele somava os “pauzinhos” marcados ali, na base da pura e simples confiança mútua, algo raro, mas ainda existente em poucos lugares. 






Em três dias e meio de camping que fiquei por lá, consumi 25 latinhas de cervejas e refrigerantes, tive café da manhã, almoço e jantar (com peixe fresco) e a oportunidade de vivenciar um pouco dos costumes locais em um lugar paradisíaco - tudo isso por 35 dólares. Ah Marcelinho, vc está de brincadeira? Foi a mesma pergunta que eu fiz aos índios haha! E ainda tentei argumentar: “Mas a gente comeu, bebeu, dormiu três dias, têm certeza que são 35 dólares? Acho que não!”. Mas esse foi o total da conta paga. Inacreditável!


Antes de terminar, uma definição de San Blas que eu tive que copiar do site Mochileiros.com, pois descreve com quase exatidão o que vi nesse feriado. Quase, pois só pisando em Kuna Yala é possível entender e acreditar no que eu tentei colocar nesse post:


“San Blás é aquele tipo de destino que quando você descobre não quer contar pra ninguém. Medo de que acabem com tudo, que transformem em mais um refúgio para milionários ou produto de turismo de massa. 

Caribe. Areia branca, coqueiros, água cristalina (que com a luz do sol lhe mostra todos os tons azúis e verdes da Faber-castell 48 cores ou das palhetas do Photoshop com todas as suas variantes)... 

Portanto prepare-se porque você não só vai conhecer um dos lugares mais lindos do mundo, como vai encontrar ricas cultura e história, de um povo símbolo de legitimidade e resistência.”


Se tiver a oportunidade de conhecer, não pense duas vezes.

7 comentários:

Aline disse...

É....
impossível ir a San Blas e não voltar deslumbrado!
Imagino o tanto que a sua semana santa deve ter sido boa! e nada santa!
hahahaha...
saudades!
beijão!

Bárbara Teles disse...

Que doido, fofo!

Esse mundo é muito louco mesmo: é bonito demais!

Fico feliz que tenha vivido mais esta =)

Beijão!

juliana batista disse...

Muito irado, marcelinho!

Mari[ disse...

Nossa! Olhei as fotos e nada do que disse é mentira! Muito lindo!!!

Que bom q está curtindo. Pela falta que está fazendo, é bom curtir bastante mesmo! hahaha

Muitas saudades
Beijokas, Xoxolê!

Cintia disse...

Meu....vou dar un Ctrl C , Ctrl V nesse post e guardar pra sempre,e quando quiser lembrar da viagem eu leio!
SHOW DE BOLAAAAAAAAAAAAAAAA

Tassia Corina disse...

Que demais Marcelinho!!! Ques fotos maravilhosas!!! Ai que vontade de estar na praia! Muita historia pra contar, hein? Bjaoo

Marcelinho disse...

É moçada, se um dia passarem por aqui não deixem de conhecer! Quase virei indio e fiquei por la hahaha! Abs